segunda-feira, 5 de abril de 2010

2010!

Há tempos não posto. E há dois motivos para isso. O primeiro é que fiquei um tempinho fora da nossa “linda” capital. O segundo é porque não ando mais de ônibus como antigamente. Sem querer justificar, mas justificando... As tarefas e horários do dia-a-dia não me deixam mais perambular ou biarticular por ai. Olhando antigos posts, vi que um ano atrás a passagem do ônibus era R$ 1,80. E agora, meu caro passageiro curitibano, pagamos R$ 2,20. Não sei ao certo dizer o quanto a gasolina subiu, mas tenho certeza absoluta que não justifica esse aumento de quase 50 centavos. E como tudo sobe, aguardem os próximos capítulos.

Esses dias fui à Conferência Internacional das Cidades Inovadoras. Entre as palestras, teve uma que não teve como não chamar a atenção, a do excelentíssimo ex-prefeito Jaime Lerner. Não tive dúvidas que ele é um grande arquiteto, com ideias inovadoras. Mas ai dizer que é um grande urbanista e que entende das cidades, já é demais. Quem sou eu pra contestar? Alguém que andou a maior parte do tempo de ônibus e que conhece Curitiba não pelas ruas, mas pelos nomes de tubos e terminais. O que chamou atenção, entre uma propaganda política e outra, foi a seguinte fala: “Os biarticulados de Curitiba passam de quarenta em quarenta segundos em cada tubo”. Eu não sei quem ele estava querendo enganar ou qual era o plano político dessa vez. Pelo amor de Deus, todos nós sabemos que isso não acontece aqui há muito tempo. Talvez, quem sabe, Lerner parou no tempo e disse isso em relação a época da implantação dos biarticualdos. Outra crítica, além das demoras dos biarticualdos (chegam a ser de 10 minutos), é o atual estado físicos dos ônibus. Foram inúmeras vezes que peguei ônibus estragado.

O estranho é pensar que quando há greve de motorista por salários maiores, há um aumento de passagem. Mas não é a prefeitura quem paga as empresas de transporte por um determinado valor estabelecido e, essas, repassam esse valor aos motoristas? Ou seja, aumenta a passagem que vai direto para os bolsos gordos das empresas de ônibus. Ou estou muito enganada?

Outra curiosidade da Conferência é a forte propaganda que ainda existe em relação à Curitiba e que está espalhada pelo mundo. Mas deixa isso pra lá... Foi muito discutida também uma nova cultura, onde o carro não seja o transporte número 1. É fato que algumas cidades que conheci como Paris e Berlin, as bicicletas funcionam muito bem. E aparentemente, me levam a crer que são vários fatores que lá tem e cá não, para esse sucesso. Por exemplo, condições climáticas (não faz muito calor nas cidades a maior parte do tempo), condições de segurança, condições de estrutura física das cidades entre outras. Como que há proposta de ciclofaixas em Curitiba, esquecendo que há problemas a serem resolvidos? Como criar uma cultura sem carro, se os pedestres não são respeitados? Curitiba está cheia de calçadas irregulares. E tem mais... Em Curitiba existe um memorial destinado às vítimas de trânsito. Vocês acham isso normal, em uma cidade, que é nomeada como a capital social? Eu não acho!

Chego por aqui... Foi um longo desabafo, depois de um longo tempo fora do ar!

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